História, Curiosidades e Degustação
Engenheiro mecânico, Hans fez fortuna na Malásia, onde conheceu Carrie e, logo quis tornar-se viticultor. Compraram um barco e começaram a viajar pelo mundo à procura do local ideal para plantar a sua vinha. Depois de terem visitado várias regiões do mundo, chegaram a Portugal. Foi lá que eles descobriram o que procuravam, perto da Vidigueira, Sul de Portugal. Carrie achou a paisagem muito parecida com a da sua Califórnia natal, e o clima mediterrâneo bem diferente da fria Dinamarca de Hans.
Tinham chegado a Cortes de Cima, onde, em 365 hectares de terra, não havia uma só videira e onde apenas se produziam cereais, e com uma bela área coberta de oliveiras centenárias. Mas o clima e a simpatia das pessoas foram suficientes para decidirem concretizar ali o sonho de uma vida.
Antes de plantar as vinhas, em 1991, Jorgensen fez-se valer dos conhecimentos de engenheiro mecânico, criando uma infra-estrutura apropriada, de uma rede eléctrica e uma barragem para irrigação do vinhedo. Preciso e obsessivamente preocupado com os detalhes, Hans Jorgensen foi atrás dos conselhos de técnicos locais e de especialistas estrangeiros, para saber quais as castas a plantar. Ao contrário de toda a tradição vinícola daquela zona, que só tinha variedades branca, plantou 50 hectares de castas tintas como Aragonês, Trincadeira, seguindo as recomendações do viticultor australiano Richard Smart, indo contra a regulamentação estabelecida, e plantou Syrah.
Na época, como casta Syrah não fazia parte das variedades autorizadas na designação Vinho Regional Alentejano (o que só veio a acontecer em 2002), Jorgensen foi obrigado a comercializar o vinho sem explicitar a casta no rótulo. Contudo, apesar de a casta não ser identificada, no contra-rótulo era dada uma pista, mais precisamente um acróstico, para quem soubesse ler na vertical e decifrar o enigma:
Texto de Rodrigo Sitta
Engenheiro Têxtil e enófilo
Amigos,
Na última terça-feira (09/02/2021) tive a oportunidade de participar de um jantar com grandes vinhos portugueses realizado no restaurante Casa Santo Antonio e com a participação on-line do enólogo Carlos Raposo, responsável pelo projeto Vinhos Imperfeitos que falaremos em um próximo post.
Dentre essas preciosidades servidas no evento, conseguimos organizar uma degustação vertical de 4 safras do Incógnito Syrah, da Cortes de Cima, que é na minha opinião um dos três melhores vinhos Syrah de Portugal, se não for o melhor.
O vinho é composto de uvas 100% Syrah, com estágio de 6 a 8 meses em barricas de carvalho francês, de acordo com a safra e produção aproximada de 14.400 garrafas por safra e lançado somente nas melhores safras. Safras escolhidas para a degustação foram dos anos de 2008, 2009, 2012 e 2014.
Degustação Vertical
Em breve falaremos sobre os demais vinhos desse jantar (muitos estão presentes na lista do Blog dos melhores vinhos) e principalmente do projeto Vinhos Imperfeitos.